segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Formiga e o Trabalho

Todos os dias, bem cedinho, a Formiga produtiva e feliz chegava ao
escritório. Ali transcorria os seus dias, trabalhando e
cantarolando uma velha canção de amor.

Era produtiva e feliz, mas não era supervisionada.

O Marimbondo, gerente geral, considerou o fato impossível e criou
um cargo de supervisor, no qual colocaram uma Barata com muita
experiência.

A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário
de entrada e saída, além de preparar belíssimos
relatórios.

Bem depressa se fez necessária uma secretária para ajudar a
preparar os relatórios e, portanto, empregaram uma Aranhinha, que
organizou os arquivos e se ocupou do telefone.

Enquanto isso, a formiga produtiva e feliz trabalhava e trabalhava.

O Marimbondo, gerente geral, estava encantado com os relatórios da
Barata,e terminou por pedir também quadros comparativos e
gráficos,
indicadores de gestão e análise das tendências.

Foi, então, necessário empregar uma Mosca ajudante do
supervisor, e foi preciso um novo computador com impressora colorida.

Logo a Formiga produtiva e feliz parou de cantarolar as suas melodias
e começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis
que tinha de ser feita.

O Marimbondo, gerente geral, concluiu, portanto, que era o momento de
adotar medidas: criaram a posição de gestor da área onde a
Formiga produtiva e feliz trabalhava.

O cargo foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no seu
escritório e comprar uma cadeira especial.
A nova gestora de área - claro - precisou de um computador novo, e
quando se tem mais do que um computador, a Internet se faz
necessária.

A nova gestora logo precisou de um assistente (Rêmora, que já
era sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar o
plano estratégico e o orçamento para a área onde trabalhava a
Formiga produtiva e feliz.

A Formiga já não cantarolava mais, e cada dia se tornava mais
irascível.
"Precisaremos pagar para que seja feito um estudo sobre o ambiente de
trabalho um dia desses", disse a Cigarra.

Mas um dia, o gerente geral - ao rever as cifras - se deu conta de
que a unidade na qual a Formiga produtiva e feliz trabalhava não
rendia muito mais.

E assim contatou a Coruja, consultora prestigiada, para que fizesse um
diagnóstico da situação.

A Coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um
relatório brilhante com vários volumes e de "vários"
milhões de euros,
que concluía:
"Há muitas pessoas nesta empresa". E assim, o gerente geral seguiu
o conselho da consultora e demitiu a Formiga aborrecida, que antes era
produtiva e feliz.




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